Ontem assisti ao ótimo filme Anjo Exterminador do diretor Luis Buñel, espanhol, ícone do cinema surrealista.
Neste filme, após uma ópera, um casal convida um grupo da Aristocracia para um jantar em seu palacete. Porém, antes mesmo do jantar ser servido, os criados vão abandonando a casa deixando todo o trabalho para o mordomo.
O jantar acontece tranquilamente e a reunião continua na sala de visitas até altas horas da madrugada, quando estranhamente, nenhuma das personagens parece querer deixar o local. Um novo dia chega e o grupo de pessoas continua no mesmo ambiente, sem pretensão de querer cruzar a porta e ir embora.
Quando percebem, estão todos presos no cômodo. Não que houvesse algo físico que os impedissem de sair. Algo como uma alucinação geral fazia todos se sentirem presos por uma parede invísilvel.
Nós, espectadores intolerantes, nos perguntamos se não basta apenas cruzar a porta. Uma aflição surge no espectador, pois nos encomoda ver uma solução simples não ser reconhecida pelos personagens da trama.
Pois trazendo então essa idéia da parede invísivel, pergunto: quantos de nós não estamos presos em nossas realidades por paredes invisíveis? Quantos de nós não estamos confiados há anos dentro de nós mesmos?
Por outro lado, quando estamos aflitos por uma solução, as pessoas em nosso redor não entendem como podemos nos preocupar dessa formas. Algumas vezes com algo de solução tão simples.
O filme nos faz pensar. Será que estou também preso por paredes invisíveis? Será eu tolerante com outro que não enxerga sua saída?
Confira esse filme e veja o que acontece no final.