Arquivo da categoria ‘Crônica’

Depois de cinco anos em coma

16/07/2009
Cadê os carros voadores?

Cadê os carros voadores?

Quando descobri que estávamos em 2009, pensei que não deveria ficar tão preocupado, afinal tinham se passado só cinco anos. Não havia tempo para mudar tanta coisa assim. Quando sai na rua, fiquei tranquilo em ver que os carros ainda não voavam e nem havia teletransporte.

Só fui assustar mesmo, quando liguei meu Computador.

Um pouco antes de sofrer o acidente tinha ouvido falar de um site que você só entrava se fosse convidado. Lembro que tinha uma coisa das pessoas serem suas fã e seus amigos classificaram o quanto você era amigável e “quente”.

Navegando agora, descobri que aquele site, o Orkut, foi povoado por Brasileiros. Antes só dava para escrever em inglês. Recebi um monte de mensagens de amigos que eu lembro só no primário.

Fui acessar a minha caixa de e-mail  já sem esperanças de ter novas mensagens. Afinal, depois de cinco anos, claro que minha caixa já estava cheia. Engano meu! O que antes tinha espaço para 10 megas , hoje cabe dois, três gigas!

Dentre os e-mails, tinha ume-mail de um amigo me chamando para ver um filme de um cara que recebia uma ligação de um celular e uma mulher pedia socorro. Lembrei na hora daquele Nokia 6000 que tirava fotos. Eu era o único da escola que tinha. Dúvido que os celulares hoje tenham evoluído tanto.

Outro susto que tomei foi saber que agora é possível ver vídeo pela internet. Navegando nesse tal de Youtube vi um video do funk do Twitter.  Achei curioso fazer um funk de aparelinho de som e resolvi assistir.

Foi aí que comecei a ficar com medo.

Primeiro, como ter gente dentro de um aparelho tão pequeninho? Retuitar  é reaproveitar esse aparelinho, como um pneu remold? E o que é que essas pessoas famosas estão fazendo nesse Twitter? Gente dando televisão em troca de tunar o som do carro? Eu hein! E que história é essa de seguidores? Cristo já veio pra terra?

Estou com medo mesmo. Descobri coisas estranhas, sobre esse tal de Obama, que eu sinceramente nunca tinha ouvido falar. E o principal foi saber que o Michael Jackson morreu. Esse mundo não é mais pra mim.

Acho que vou tomar uma dose-tripla de MelaAgrião para ver se eu durmo mais uns cinco anos. Afinal é mais fácil entender de carro voador do que gente idolatrando um aparelinho de som.

O Corvo

14/07/2009

Ele pode ser mais inteligente que você
Ele pode ser mais inteligente que você

Qual é a primeira imagem que você tem quando pensa no Corvo?

Mau-agouro?  Morte? Uma grande injustiça com essa ave que possui algumas capacidades impressionantes.

Você sabia que o corvo tem uma inteligência extraordinária e costuma buscar soluções muito criativa para sobreviver. Para abrir uma semente dura, por exemplo, o corvo costuma jogá-las contra os carros para que eles possam quebrá-las. Também aprendeu a técnica de jogar miolo de pão para pescar peixes. O corvo tem sido muito estudado por sua habilidade de construir ferramentas no dia a dia, como facas  feitas com folhas e talos.

São, sem dúvida, exemplos de superação de desafios, planejamento e criatividade.

O corvo vive em bandos e é conhecido pela sua capacidade de comunicação apurada.  Além disso, possuem uma capacidade fora do comum de se comunicar com outros tipos de aves. O significado que a ave tem para a mitologia também é um exemplo de comunicação entre dois mundos. Existem lendas que dizem que quando uma pessoa morre, um corvo carrega sua alma até o paraíso.

O corvo é uma ave filosófica que questiona as estrutura das coisas e o porquê das coisas. Uma ave que ensina pensar as coisas por um jeito diferente.

E antes de pensar em agouro, você sabia que para os Asiáticos é uma ave que dá sorte?

O corvo é um exemplo claro que precisamo sempre pensar fora da caixinha. Seja para ter novas soluções ou para não ficar preso a conceitos antiguados.

É triste morrer no mar

01/07/2009

Dorival Caymmi narrou em muitas de suas músicas a agonia de parentes que tiveram seus familiares levados pelas ondas verdes do mar. Caymmi respeitava o mar e exaltava sua grandeza.

A mesma agonia das histórias de Caymmi sentimos ao ver os sobrevoos da Aeronáutica sob o gigante de águas caladas. Com a decisão de suspender a procura por novos corpos, muitas histórias permanecerão enterradas nas areias profundas do mar.

Mas nós humanos que somos seres racionais e desenvolvidos, não pudemos resgatar os que se foram pelas águas? Não. O mar surge no seu silêncio para nos mostrar que, mesmo grandes, nunca seremos maiores que a Natureza.

Limitou-se a entregar alguns cadáveres e destroços, como se disse que mesmo abandonado, relegado e poluído, ainda poderia ser complacente com os humanos.

Muito foi falado sobre o acidente. Mas a palavra final nunca será ouvida, pois está guardada com este gigante esquecido, até que ele surja novamente para nos mostrar que nunca seremos maior que ele.