Você pode até não admitir, mas 90% das decisões que você toma estão relacionadas com o subconsciente. Da sua criação ao meio que você vive, são fatores fundamentais na tomada de uma decisão.
O que é dito em pesquisas sobre produtos às vezes acaba se tornando um simulacro da realidade. Afinal, há um filtro enorme entre o cérebro e a boca.
Para entender um pouco mais sobre porquê compramos (e nos divertimos com isso), o consultor de Marketing, Martin Lindstrom, estudou a relação entre a propaganda e nossas cabeças por meio da Neurociência.
As descobertas são muito valiosas para quem trabalha com propaganda, marketing ou quer simplesmente entender a sociedade consumista que vivemos e estão no livro A Lógica do Consumo
Alguns dos insights interessantes que encontrei:
1. O ser-humano não é um animal racional. A emoção é muito mais forte, pois, por meio delas que o cérebro codifica o que tem valor.
2. O medo é muito utilizado na propaganda. Não o medo coletivo (o mundo acabar) mas aquele medo individual (de não dar certo, de não ter ninguém, etc.)
3. Ter coisas do último ano, como um carro zero, é uma forma de ganhar status social. Ter status social ajuda melhorar a vida sexual, que ajuda na preservação da espécie.
4. O product placement (o ato de colocar seu produto em um filme ou seriado) só tem eficácia se for parte fundamental da narrativa. Caso contrário ele vai cair no limbo das marcas. Exemplo: óculo Ray-ban no Men In Black ou a Eva (Apple) do Wall-E.
5. Mensagens subliminares existem aos montes na propaganda como uma forma de driblar a barreira cultural que você já montou contra elas. Fica mais fácil de atingir as áreas do desejo.
6. Rituais são uma forma de se ter a sensação de que é possível controlar o futuro. Em um mundo caótico e estressado, é cada vez maior a adoção de rituais. Tê-los é muito bom para marcas. Ajuda a criar um vínculo emocional com o consumidor.
7. Religião e Branding são perfeitamente. Para todo amante de uma marca ou praticamente de uma religião há uma sensação de pertencimento. Religião e marca tem o poder sobre o inimigo (o capeta e o concorrente). Há sempre um apelo sensorial. Há histórias para contar e mistérios para esconder. Há uma grandiosidade em uma igreja, como há na loja da Apple em NY. Consumidores e praticantes fazem você crer que aquela é a religião ou a marca de sabonete são salvadoras. Símbolos. A cruz é a marca mais bem feita em todo mundo, mas a tipografia da Coca-cola não fica atrás.
8. Nos dois segundos que seu cérebro leva para tomar uma decisão, milhões de pensamentos relacionados invadem sua cabeça. Para facilitar, seu cérebro adota alguns atalhos chamados marcadores somáticos. São conectores de experiências e emoções passadas que ajudam a chegar na melhor opção.
9. Se temos cinco sentidos a postos, por que boa parte das propagandas são feitas apenas para a visão? Quando juntamos outros sentidos em prol de uma marca, criamos o branding sensorial. O ronco de uma Harley Davidson, o cheiro de um carro zero. Sentidos integrados aumentam a percepção e a emoção em relação a um produto. Por consequencia, sua lembrança.
10. Sexo na publicidade busca despertar sonhos, desejos e não o ato em si. Em muitos casos, quando não balanceado, o sexo tira o foco do produto.
Estes são alguns estalos que o livro dá. Mas há muitos outros. Vale a pena conferir.

